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Série A Promon por dentro · transparência

Bastidores da pesquisa

Esta série foi escrita sem qualquer contato com a Promon, suas controladas ou seus profissionais. Tudo o que os artigos afirmam veio de documentos públicos. Esta página mostra como eles foram lidos: o método, as fontes e, tão importante quanto, o que não conseguimos verificar. Uma série que pede confiança do leitor deve mostrar a cozinha.

O método

A pesquisa correu em frentes paralelas: a história da companhia, a mecânica do modelo acionário, os números dos relatórios e demonstrações, os testes de estresse (crises e Lava Jato), a literatura acadêmica e as declarações públicas de fundadores e executivos. Cada afirmação recebeu uma marcação: verificada em fonte primária ou em duas fontes independentes; apoiada em fonte única (usada com ressalva); inferência (sempre sinalizada no texto); ou não encontrada após busca ativa.

A regra mais importante foi a da busca adversarial: para cada conclusão atraente, procuramos ativamente a evidência contrária. Um exemplo concreto: a hipótese de que a Promon teria atravessado a Lava Jato sem ser citada, que circula em conversas sobre a companhia, caiu na primeira rodada de checagem. O Artigo 3 registra, com a mesma precisão, o que se encontrou e o que não se encontrou.

As fontes primárias

O livro oficial dos 50 anos, "Para chegares ao que não sabes", de Ignácio de Loyola Brandão (Promon, 2010), lido na íntegra; o Estatuto Social Consolidado da Promon S.A. (AGE de 17/5/2022), lido cláusula a cláusula; as demonstrações financeiras da Promon S.A. (exercícios de 2019 a 2025) e da PEPSA, sua controladora (Diário Oficial Empresarial de SP, 2021); os relatórios anuais da companhia (2022s a 2025s); a dissertação de mestrado de Matheus Toledo Bechara sobre o modelo acionário (UEL); a imprensa de época (Exame, Valor, TeleSíntese, entre outros); e os registros públicos da Lava Jato (CADE, Polícia Federal, CGU e AGU, conforme noticiário).

O que os documentos confirmaram

A data de nascimento do veículo dos fundadores: a CEL foi constituída em 25 de maio de 1964, e o cadastro nacional da sua sucessora, a PEPSA, guarda essa data até hoje. A compra da metade americana em 1966, por vinte mil dólares levados em espécie. A compra da metade da Montreal em 18 de março de 1970, por novecentos mil cruzeiros novos pagáveis em um ano. O memorando de 20 de março de 1970, com as regras fundacionais: venda compulsória a valor patrimonial na saída, teto de 5% por pessoa, voto secreto. A Carta de Campos do Jordão, escrita em dezembro de 1970 por treze participantes num hotel da serra. E o dado central da série: na sua última demonstração pública, de 2021, a PEPSA detinha 67,16% das ações em circulação da Promon S.A., e as demonstrações da companhia seguem declarando-a controladora.

O que não conseguimos verificar

O desfecho do processo administrativo da CGU aberto em 2015 (o relatório final existe em repositório público, mas o arquivo é digitalizado sem texto pesquisável). O número atual de acionistas da Promon S.A. e sua distribuição etária. A fórmula vigente de precificação das ações. Os critérios de entrada no grupo de sócios da PEPSA. E o momento, entre 2010 e 2022, em que a venda compulsória na saída deixou de constar do estatuto da holding. Os artigos tratam cada um desses pontos como o que são: perguntas abertas, não fatos.

Correções

Quem tiver documentos, correções ou contexto que os registros públicos não alcançam, especialmente profissionais e ex-profissionais da casa, encontra os canais da GPF no rodapé do portal. Erratas serão incorporadas e sinalizadas nos próprios artigos.

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